PRDC media discussão sobre a imagem da mulher na mídia
No último dia 23 de abril, no auditório da PR-SP, foi realizada a Audiência Pública “A Mulher na Televisão Brasileira”, organizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, com o intuito de discutir a imagem da mulher veiculada pela mídia e coletar subsídios para instruir o procedimento administrativo, instaurado para apurar representação encaminhada por ONGs que defendem os direitos da Mulher.
A representação, na qual as ONGs pedem direito de resposta às emissoras, resultou de uma ação conjunta de vários movimentos ligados à luta feminista, como o Observatório da Mulher, o Instituto Patrícia Galvão, a Marcha Mundial das Mulheres, a Secretaria das Mulheres do PCB, entre outros. As feministas afirmam que a imagem das mulheres nas produções televisivas não respeita a diversidade feminina no país e reforça estereótipos.
A proposta apresentada consiste na formulação de uma semana de programação, com recursos das próprias emissoras, que mostre a diversidade da mulher brasileira, com suas problemáticas, seus conflitos e anseios. Durante o evento, estavam presentes vários movimentos ligados à luta feminista e representantes de todas as emissoras, exceto da Rede Globo e da TV Cultura.
Segundo as militantes, as mulheres não se reconhecem em sua pluralidade na programação das emissoras, mesmo sendo um forte seguimento econômico, já que detém 80% da decisão de compra e representam 52% da população brasileira, logo, da audiência. De acordo com os dados da representação, a televisão reforça modelos de estética e comportamento, enquanto há uma “relativa invisibilidade das mulheres trabalhadoras, intelectuais, especialistas, profissionais liberais”.
Os representantes das emissoras presentes à audiência, exceto a MTV (cujo representante não ficou até o final e também não se pronunciou), afirmaram que não há uma política de discriminação à mulher em suas programações. Entretanto, todas concordaram que seria inviável economicamente o direito de resposta, com a formulação de uma nova programação por uma semana, principalmente, devido aos contratos já firmados com os anunciantes.
Como contrapartida, Ingrid Ferreira, advogada da Rede TV!, propôs a criação de uma comissão de trabalho entre as entidades feministas, as empresas e o MPF. As militantes presentes aceitaram a proposta, desde que a comissão fosse permanente e com representantes das entidades. Entretanto, as únicas a aceitar de imediato foram a Rede Mulher e a TV Gazeta, as demais ficaram de enviar as respostas ao MPF ainda neste mês.
Para buscar um consenso sobre medidas que serão tomadas, serão realizadas, no mês de maio, reuniões individuais com as emissoras, com a participação da comissão de trabalho permanente, que terá representantes do MPF e das ONG's interessadas. A PRDC Adriana Fernandes procurará as emissoras que não compareceram, para saber qual o motivo da ausência delas e informá-las sobre o andamento do P.A.
P.A. 1.34.001.002428-2007-28