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26/08/10 - Justiça aceita denúncia do MPF e abre processo contra quadrilha presa em Ribeirão com 455 kg de cocaína e armas

Grupo trouxe a droga do Paraguai e armas abasteceriam a quadrilha que controla os presídios do Estado; revenda da cocaína seria feita no Sudeste do país

O Ministério Público Federal em Ribeirão Preto denunciou e a Justiça Federal aceitou parcialmente a acusação e abriu processo contra cinco pessoas de um grupo de seis denunciadas pelo MPF, que comporiam uma quadrilha de traficantes internacionais de drogas e armas presa na cidade, em 29 de junho deste ano, com 455 kg de cocaína, armas e munição. Esta foi a maior apreensão de drogas já realizada no município e uma das maiores no Estado.

A droga e o arsenal apreendidos pela Polícia Federal em Ribeirão Preto foram trazidos do Paraguai após passarem por uma rota que incluia o estado de Minas Gerais. No Brasil, a droga seria distribuída no interior de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Por trás da encomenda das armas estaria a quadrilha que comanda os presídios do Estado de São Paulo.

A investigação da Polícia Federal começou em 16 de junho deste ano. Após a apreensão de 500 kg de maconha e 45 kg de cocaína e a prisão de dois traficantes em Passos (MG), o acusado José de Paula Cintra Júnior, de 29 anos, conseguiu deixar a região em uma camionete S-10 com destino à Ribeirão Preto. A partir de então, seus passos foram monitorados pela PF.

Com as investigações sobre Cintra Júnior, descobriu-se que ele e os demais acusados se associaram para trazer drogas e armas, via áerea, do Paraguai. As aeronaves com o carregamento ilegal usavam pistas clandestinas no município de Capitólio, também em MG.

Além de Cintra Júnior, foram identificados como proprietários das drogas e armas trazidas, Luis Gustavo Galvão Fernandes, de 29 anos, Ricardo Mattos Rossini, de 32 anos, e Antonio Ranier Amarilha, de 37 anos. Além deles, outras pessoas não-identificadas teriam sido as responsáveis por trazer a droga para o país e transportá-la de Capitólio até Ribeirão Preto.

Em Ribeirão, o quarteto contratou os ex-cunhados Alex de Carvalho Francisco, de 28 anos, e James William da Silva, de 32 anos, que cuidavam do transporte e da vigilância das armas e drogas dentro da cidade.

As drogas e as armas estavam originalmente numa casa de Fernandes no condomínio Portal dos Ipês, em Ribeirão. Após as prisões e a apreensão ocorridas em Minas, a quadrilha decidiu levar as drogas e as armas para o residencial Cândido Portinari, onde vivia Francisco, um dos responsáveis pelo transporte.

A quadrilha tinha o intuito de iniciar as vendas das drogas e armas no dia 30 de junho. Para tanto, no dia 23 de junho, a quadrilha se reuniu com Amarilha, que veio de Londrina (PR), onde reside, para o encontro. O grupo, inclusive, visitou o novo local onde as drogas estavam guardadas.

No dia 29 de junho, a PF vigiava o local onde estava guardada a droga. O intuito era continuar o monitoramento e seguir os passos da distribuição da cocaína, mas Francisco e Silva perceberam a presença dos policiais e fugiram correndo, sendo presos em seguida.

Os policiais entraram no imóvel e apreenderam a cocaína, acomodados em maleiros nos armários da sala e num quarto de criança. Três fuzis semi-automáticos, três carregadores e uma balança digital também foram apreendidos. Segundo perícia, os fuzis e os carregadores serviriam para montar kits semelhantes ao do fuzil AR15.

ARMAS DO PCC - Segundo apurado, as armas seriam distribuídas para membros do PCC, e a droga, vendida em Minas Gerais, interior de São Paulo, e Rio de Janeiro. No local também foram apreendidos um Gol e um Audi que, segundo a polícia, eram usados nas atividades da quadrilha.

Após a prisão de Francisco e Silva, a polícia deteve os outros três integrantes da quadrilha que estavam na cidade: Júnior, Fernandes e Rossini. Numa busca realizada na casa de Fernandes, onde a droga estava acomodada anteriormente, foram detectados traços e forte odor de cocaína em diferentes pontos do imóvel.

Na casa de Fernandes também foram apreendidos R$ 9.400,00 e dois rádios HT que operavam em freqüências diferentes das autorizadas pela Anatel e que eram usados para o bando se comunicar com as aeronaves e entre si. Foi apurado que a quadrilha tentou também usar os rádios para frustrar as investigações policiais.

Outros elementos de prova, principalmente mensagens de celular que estavam na memória dos celulares dos integrantes do grupo e encontros, monitorados pela PF, mostram o contato frequente dos acusados para a prática de tráfico. Cintra, por exemplo, era quem mantinha contato com os traficantes paraguaios.

O MPF denunciou os seis acusados pela prática de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, posse e tráfico internacional de armas de uso restrito e atividade clandestina de telecomunicações. A Justiça, entretanto, rejeitou a acusação do MPF contra o acusado Amarilha, sob a alegação de que não havia comprovação de sua participação nos fatos. O MPF, em relação a este ponto, pedirá a realização de outras diligências à Polícia Federal para comprovar a participação de Amarilha na quadrilha.

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