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18/03/09 - Operação Aquário - MPF denuncia sete por lavagem e quadrilha

Dos denunciados, cinco são colombianos e um já foi preso por tráfico nos EUA, outro teve a extradição pedida por aquele país

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou cinco colombianos e dois brasileiros que montaram uma quadrilha no Brasil para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, por meio da aquisição de aeronaves para transporte de drogas e valores e a abertura no país de uma empresa de táxi-aéreo de fachada, a Presidential Air.

Não foram colhidas provas de que o grupo chegou a praticar tráfico de drogas no Brasil, mas depoimentos e outros documentos indicam que o grupo traficava cocaína nos mercados americano e europeu, por meio de complexas conexões entre diferentes países latino-americanos e africanos, utilizando como rotas Venezuela, Panamá e Burkina Faso, na África.

Eram grandes as ramificações do grupo no Brasil. Para o procurador da República Silvio Luis Martins de Oliveira, autor da denúncia, as provas colhidas pela PF na Operação Aquário demonstram que o grupo se associou para ocultar valores oriundos do tráfico por meio da criação de uma empresa de transporte aéreo, dando-lhe estrutura aparentemente legítima mediante a utilização de laranjas e testas-de-ferro.

Segundo a denúncia, a quadrilha se estruturou também para converter esses valores em ativos lícitos (aeronaves, carros e bens de consumo) em nomes de terceiros, pagamento em espécie de transporte de valores e mercadorias, e compra de aeronave com valor declarado abaixo do real.

O grupo comprou um carro no país e estudava a abertura de um escritório para a DM Airfinance, uma das empresas de fachada do líder do grupo, Jorge Enrique Rincón Ordoñez, que tem pedido de extradição pelo crime de tráfico de drogas expedido pelos EUA. Ordoñez e seus prepostos chegaram a negociar a compra de um hangar e de uma empresa de manutenção de aeronaves.

OPERAÇÕES NO BRASIL - Em janeiro de 2008, em nome de Ordoñez, o colombiano Javier Hernando Ruiz Mantilla, por intermédio de um conterrâneo, foi apresentado ao brasileiro Carlos José Luna dos Santos. Os dois viajaram à Curitiba, onde fecharam a compra, em abril do ano passado, de um avião Gulfstream G-I por US$ 980 mil.

Documentos comprovam o subfaturamento da aquisição do avião, que, no papel, saiu por R$ 650 mil. A documentação da aeronave foi colocada toda no nome de Luna, que recebeu US$ 10 mil pelo ``serviço´´.

Em maio, liquidada a compra da aeronave, o grupo embarcou com destino ao México, mas o plano foi abortado e mudaram o destino para Caracas. A aeronave ficou retida na Venezuela, por questões burocráticas, mas Javier e Luna não pareceram se importar, segundo o piloto. Em julho, em voos comerciais, Luna e Javier foram até Bogotá onde o brasileiro foi apresentado à Ordoñez.

Nesse período na Colômbia, Javier, Ordoñez e outros tratavam da venda de cocaína, especialmente para a República Dominicana, com intuito de ``fazer caixa´´, segundo depoimentos. Na Colômbia, Luna entregou documentos visando a transferência do Gulfstream-I para a empresa do Ordoñez, Amsan Aviation.

Os negócios de Ordoñez no Brasil começaram em 2006, quando ele e a mulher visitaram o conterrâneo Willian Enciso Suarez, que vivia da prática de estelionatos e outros golpes em São Paulo. Para manter-se no país, Suarez cruzava a fronteira com países vizinhos e retornava em seguida. No final de 2008, ele decidiu mandar fazer um carimbo falso da PF para adulterar seu passaporte periodicamente.

A partir de 2006, Suarez tornou-se o representante de Ordoñez no Brasil e foi nomeado gerente comercial da DM Airfinance, uma das empresas de fachada do colombiano. Foi neste ano que os dois conheceram o hangar que reconheceriam mais tarde como o local em que foi apreendida uma aeronave de Juan Carlos Abadia, em 2007, mas não fecharam negócio com o dono do lugar.

Entretanto, foi a partir do encontro com Luna, em Bogotá, que Ordoñez passou a visitar o Brasil regularmente. Foram cinco visitas entre agosto de 2008 e fevereiro passado. Sua intenção era montar uma empresa de táxi aéreo, a Presidential Air. Entre várias medidas para concretizar o empreendimento, Ordoñez, Suarez, Javier e Luna compraram um carro, deram manutenção no Gulfstream G-I e passaram a aeronave para Luna nos cadastros da Anac.

No período, o grupo cogitou a compra de um hidroavião Albatroz, que poderia fazer carregamentos de 3 a 4 toneladas por viagem, de cocaína da Venezuela para a República Dominicana. Com Javier, no ato de sua prisão, foi apreendido um pen drive com planilhas de venda de droga, indicando pagamentos em dólar ou euro pela droga. O grupo também tentou comprar um hangar e uma empresa curitibana de manutenção de aeronaves.

Em fevereiro, após meses de monitoramento autorizado judicialmente, quando o grupo veio para o Brasil acompanhado do traficante Luis Fernando Valencia Garcia, que ficou preso sete anos nos EUA por tráfico, trazidos pelo piloto Humberto Silva Jimenez, para verificar as condições da turbina do G-I, a quadrilha foi presa pela Polícia Federal.

Todos os sete foram enquadrados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro do tráfico de entorpecentes, inclusive os pilotos Mohr e Jimenez, uma vez que ambos sabiam dos negócios do grupo criminoso. Interceptação do e-mail de Mohr demonstra que ele sabia que os federais poderiam tomar o G-I. ``Um amigo disse que los federais vão tomar o G1. Nosotros temos que tirar el G1 do Brasil´´, escreveu em ``portunhol´´ o piloto para Suarez, segundo consta de e-mail transcrito na denúncia.

Além desses crimes, Suarez é acusado também pelo crime de falsificação de documento público e sua vida de estelionatos pode suscitar a abertura de investigações nas justiças Federal e Estadual de São Paulo. Todos os acusados respondem ao processo presos.

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